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  • Foto do escritorThiago Simões

O café e a sua saúde

Café e o seu fígado

Você já deve saber que o consumo de álcool está associado à inflamações no fígado. Isso foi cientificamente comprovado em uma pesquisa norueguesa em 1986. O que muita gente não sabe é que essa mesma pesquisa mostrou que o consumo de café está associado à menos inflamações no fígado.


Depois deste estudo, uma série de análises pipocaram ao redor de todo o mundo corroborando essa tese, inclusive em pessoas com alto risco de doenças hepáticas, como aqueles que consomem álcool com frequência ou que apresentam sobrepeso. E o benefício do café também se estende aos que possuem risco de câncer por hepatite C e aos que têm fígado gorduroso não alcoólico.


Em 2014, na Filadélfia, pesquisadores constataram que pessoas que bebem mais café tinham metade do risco de câncer do fígado comparadas às que bebiam menos. Em uma outra pesquisa, constatou-se que, para se beneficiar desse efeito, era preciso ingerir um mínimo de quatro xícaras por dia.


É importante lembrar que o café não é milagroso e pode te levar à dependência física. A abstinência provoca alguns dias de dor de cabeça, fadiga, dificuldade de concentração e mau-humor. Lembre-se sempre que, de longe, a melhor maneira de se prevenir doenças hepáticas é diminuindo o consumo de cigarro, álcool, gordura animal e açúcar. E para se prevenir das doenças hepáticas virais, fique longe de drogas injetáveis, faça sexo seguro e mantenha a vacinação em dia.


Café e a sua mente

O seu café quentinho diário não só protege seu fígado, mas também a sua mente. Pesquisadores de Harvard fizeram uma análise de coorte em mais de 200 mil americanos e constataram que pessoas que bebiam pelo menos 2 xícaras de café todos os dias pareciam ter metade do risco de suicídio comparadas às que não mantinham esse hábito.


Um outro estudo identificou que pessoas que bebiam entre seis e oito xícaras de café diariamente apresentaram probabilidade 80% menor de cometer suicídio (por outro lado, a ingestão de mais de oito foi associada a um risco maior).


Tem um outro dado bem importante aí! Quando for adoçar seu cafezinho, fique longe do açúcar, que anula boa parte dos efeitos benéficos do café, e também do aspartame e da sacarina - essas duas associadas a um risco maior de depressão. Se você não consegue beber seu café purinho, melaço e açúcar de tâmara são algumas opções mais saudáveis.


Quer dar um upgrade no seu café sem açúcar? Faça como os beduínos: coloque cardamomo, uma sementinha poderosa da mesma família do gengibre, que neutraliza alguns componentes tóxicos do café e garante um delicioso aroma, além de outros inúmeros benefícios medicinais.

O Café e o seu cérebro

Uma das doenças neurodegenerativas mais incapacitantes e comuns da atualidade é o mal de Parkinson. E adivinha quem te ajuda a se proteger dela? Isso mesmo, nosso astro do dia. O cafezinho diário. Existem pelo menos 19 estudos sobre o impacto que o café pode exercer no Parkinson. E o que se conclui é que o consumo diário da bebida está associado a um risco 30% menor de desenvolver a doença. Como o café descafeinado não possui o mesmo efeito e o chá verde e preto garantem essa proteção, conclui-se que o ingrediente-chave possa ser a cafeína. Entretanto, remédios experimentais a base de cafeína não parecem ter uma eficácia maior que um simples café, que é muito mais gostoso, barato e possui menos efeitos colaterais.


E tem mais, não é só na prevenção que o café é um astro. Em uma pesquisa randomizada controlada, duas xícaras de café por dia (ou quatro de chá preto e oito de chá verde) apresentaram melhoras significativas nos sintomas do Parkinson em três semanas.


Se você quiser se proteger ainda mais dessa terrível doença, você pode seguir algumas (ou todas!) as seguintes recomendações: pratique atividade física com regularidade, evite o sobrepeso, consuma pimentões, frutas vermelhas e chá verde, minimize a exposição a pesticidas e metais pesados, coma menos alimentos de origem animal, e previna-se de traumas na cabeça usando capacete ao praticar esportes e cinto de segurança.


Muito café e vida longa… se você tiver mais de 55 anos

O maior estudo já realizado sobre alimentação e saúde, que acompanhou mais de 3.5 milhões de pessoas, constatou que indivíduos que tomavam pelo menos seis xícaras de café por dia tiveram um índice de mortalidade de 10% a 15% menor que os que não mantinham esse hábito. Contudo quando foram avaliadas pessoas com menos de 55 anos que consumiam mais de seis xícaras por dia, o risco de morte aumentou. Portanto, se você é jovem, evite passar das seis xícaras diárias.


Café não é para todo mundo

Se você tem refluxo, procure substituir o café pelo chá. Vítimas de glaucoma ou quem tem histórico na família também devem manter distância da bebida, assim como quem tem incontinência urinária. Há relatos, ainda, de casos de pessoas com epilepsia que diminuíram as crises ao cortar o café da dieta.


E se você tem dificuldade para dormir, você já deve saber que o café causa uma deterioração significativa da qualidade do sono. Tem colesterol alto? Dê preferência ao filtro de papel e aos grãos tipo robusta, ao invés do arábica, que tem mais cafestol, substância presente nos óleos do café, responsáveis pelo aumento do colesterol. Se ainda assim o ajuste não der resultado, considere cortar de vez o café da sua dieta.


Apesar de todos esses benefícios do café, vale sempre lembrar de uma coisa: cada xícara de café que você toma é uma bela oportunidade que você perde de tomar uma bebida muito mais saudável: o chá verde.


Até o próximo post





Fontes:

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